O EX-PÉ MURCHO

Meu tiro de meta não passava do meio-campo. Eu não sabia chutar e tinha vergonha de bater. Pedia ao Sérgio Baresi, zagueiro com um pouco mais de tempo no clube, que cobrasse todos os tiros de meta. Se o vento estivesse contra então, não arriscava de jeito nenhum. A falta de força e de jeito “minavam” completamente minha confiança.

Para minha sorte a comissão técnica do São Paulo contava dois especialistas na arte de bater na bola.

Com o Telê aprendi a batida mais no chão, o movimento de deitar o corpo – bater na bola rasteira, de um jeito que a faz girar ao contrário. É uma bola mais precisa, e mais arriscada.

Ao professor Valdir Moraes (um dos maiores goleiros da história do Palmeiras, pioneiro na preparação específica para posição) devo muito, quase 100% do meu crescimento técnico. O modo de pegar a bola, o posicionamento, o salto…. Ele fazia treinos com cordas para que ganhássemos velocidade, melhorássemos a impulsão, deixássemos o corpo na posição correta para chegar na bola. Enfileirava seis bolas mandava a gente ficar segurando na trave e batia no outro canto. Acertava todas na gaveta. Não tinha erro, e o goleiro não perdia treinamento.

Na urgência de melhorar meu tiro de meta, colocava a bola na linha da pequena área e didaticamente me passava a posição certa do corpo. Fiz muito paredão também. A bola precisava sair reta e forte.

Site oficial.

Nesse mesmo período, trabalharmos a reposição com a bola em jogo. Duas, três vezes por semana, durante três, quatro anos, chegávamos meia horamais cedo para desenvolver meu chute. Tanto que, hoje minha maior deficiência é repor com as mãos. O Leão, técnico do São Paulo em 2004-2005, pegava um pouco no meu pé por conta disso. Na verdade, é um problema que nunca me tirou o sono, porque faço com o pé o mesmo que os outros fazem com a mão. Numa velocidade muito superior. O legal é que atualmente vejo vários jovens goleiros do país batendo no meu estilo.

Passada essa fase, depois das longas sessões de treino com o professor Valdir, conseguia bater pelo menos nove em dez tiros de meta na mão do preparador de goleiros, estando ele, claro, na linha do círculo central.

E tem mais, na brincadeira de acertar o travessão (também vinda daquele tempo) seja de qualquer ponto do campo, desafio qualquer um a me enfrentar. Só aviso que há um riso, enorme, de o desafiante passar vergonha.

Rogério Ceni.

Nesta semana nós Tricolores tivemos a grande honra de ver em DVD a maior glória de um goleiro, que é nada mais nada menos que um M1TO!

Mas quem diria que o nosso goleiro-artilheiro, o goleiro dos 101 gols já foi um pé murcho?

Assim se faz uma grande história, com luta, garra, determinação e treinamento! Que os jovens jogadores possam se espelharem no Rogério pra irem longe.

Grande abraço,

Adri.

 ( Esta história é um trecho do livro Rogério Ceni Maioridade Penal – 18 anos de histórias inéditas da marca da cal contadas por André Plihal)

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